O Faltou Criatividade seguiu a sugestão do leitor Luís Gustavo e inaugura hoje a categoria “Entrevistas”. Serão publicadas entrevistas exclusivas e trabalhos que o dono do blog já fez para jornais e sites de São Paulo.
Na estréia, o FC bateu um papo com o humorista, ator e roteirista Bruno Mazzeo. Atualmente, Mazzeo, que é filho do gênio Chico Anysio, é o personagem José Henrique, na novela “Beleza Pura”.
Faltou Criatividade: como você começou como roteirista e quais suas referências?
Bruno Mazzeo: comecei escrevendo e produzindo vídeos, programas caseiros com amigos. Usei isso para me aperfeiçoar, treinar. Minhas referências na infância eram os humorísticos que a gente via na TV brasileira: Chico Anysio Show, Viva O Gordo e Os Trapalhões. Só depois fui tendo acesso aos programas de fora, às coisas mais novas e fui juntando tudo: Woody Allen, Seinfeld, Monty Python, Larry David…
FC: qual e quando foi o seu primeiro trabalho como roteirista?
BM: profissionalmente foi Escolinha do Prof. Raimundo, em 1991.
FC: você acha que, por ser filho do Chico Anysio, sua entrada no meio, tanto como roteirista quanto ator, foi facilitada?
BM: como roteirista com certeza. Como ator, porque isso foi uma coisa que veio bem mais tarde.
FC: qual a ligação com o seu pai? Ele te dá ou deu muitas orientações?
BM: a ligação é a melhor possível. Ele me orientou muito, técnicas, dicas, principalmente quando eu comecei.
FC: o humor brasileiro caiu muito desde a época em que seu pai atuava com frequência?
BM: não sei. Acho que não. Houve uma evolução natural não só no humor, mas no mundo. Tudo está mais rápido, a gente hoje tem acesso a programas estrangeiros graças a TV cabo, a internet, etc.
FC: depois de ler o seu blog e assistir o programa ”Cilada”, percebi que você e o personagem Bruno têm algo em comum.Você, por ser o roteirista da série, colocou algo pessoal no personagem. E qual a porcentagem que o Bruno tem de você?
BM: o Bruno sou eu. Talvez um pouquinho mais estressado. Um pouquinho.
FC: Em um mundo tão globalizado por causa da internet, o quanto é válido o espaço de um blog, onde a pessoa tem a liberdade de publicar o que bem entende?
BM: não é qualquer um que quer se expor, que aceita dar suas opiniões e ficar sujeito a tapas, críticas, etc. Ao mesmo tempo, é uma forma nova de comunicação com o público que, particularmente, estou adorando. Não sei se vou adorar pra sempre, mas por enquanto a brincadeira está sendo super saudável. Muita gente, inclusive, ficou conhecido graças a internet, como por exemplo o Kibe Loco, que hoje é roteirista da Globo.
FC: para um artista, quais as utilidades de um blog?
BM: dar suas opiniões, divulgar seus trabalhos, rebater alguma afirmação falsa que tenha saído na imprensa. Pode ser como sua “assessoria de imprensa”. Eu tenho usado mais para escrever artigos, coisa que gosto muito e tinha pouca oportunidade. E, eventualmente, divulgar algum trabalho.
FC: o que mais deixa você irritado na internet, de um modo geral?
BM: sabe que eu não sei? Não me irrita tanto, não.
FC: a cobertura que a imprensa faz das “celebridades” é válida ou chega a ser uma coisa exagerada?
BM: acho patética. Acho um absurdo que uma atriz ter colocado silicone ou um ator de namorada nova seja mais notícia do que uma peça que esteja estreando.
FC: o que você acha da atual programação da TV brasileira?
BM: não tem muitas coisas que me façam sentar no sofá e ficar vendo. O melhor programa do momento, na minha opinião, é o CQC. Acho que falta buscar novos formatos e esquentar um pouco menos com o Ibope imediato.
FC: programas como “Superpop”, “A tarde é Sua”, “Casos de Família” e outros do gênero, têm qualidade suficiente para ocupar espaços importantes na progamação das Tvs?
BM: só na Rede TV mesmo.
FC: o que falta à TV brasileira?
BM: ousadia.
FC: para um país que já teve Cazuza, Renato Russo entre outros poetas, como é ouvir na rádio “Créu”, “Eguinha pocotó” entre outras músicas do gênero? A música brasileira perdeu a sua qualidade?
BM: completamente. Talvez o público tenha perdido um pouco da exigência.
FC: o que você acha que as pessoas precisam ler?
BM: tudo. Até bula de remédio.
FC: e o que você lê ultimamente?
BM: os roteiros da novela e os textos do Cilada que estou escrevendo. Infelizmente não estou conseguindo manter uma rotina com a literatura. Minha mesa de cabeceira está lotada de livros à minha espera.
FC: quais os blogs ou sites que você recomenda, incluindo o seu, é claro?
BM: Rosana Ferrão, Nizo Neto, Pedro Neschling, Fernando Caruso, são muitos. E, fora do BlogLog, vou sempre ao Kibe Loco, ao do Marcelo Tas, aos dos colunistas esportivos do Globo Esporte e da Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo. Mas deve ter mais. Tenho certa preguiça de navegar.
Currículo:
Como ator: Beleza Pura (2008), Sob Nova Direção (2006/2007), Pé na Jaca (2007), Cilada (2005), Carga Pesada (2004), Sítio do Pica-Pau Amarelo (2004) Aladim, Papo Irado (2003)
Como roteirista: Cilada (2005-2007), a Diarista (2004-2007), Papo Irado -Fantástico- (2002-2003), Domingão do Faustão (2000), O Belo E As Feras (1999), Vida Ao Vivo Show (1998-1999), Sai de Baixo (1997-1998 e 2000), Chico Total (1996), Escolinha do Professor Raimundo (1991-1994)