Esse meu problema com a Polícia não é de hoje. Certo dia, um amigo do jornal disse que foi assaltado na Galeria do Rock, no Centro. Quando chegou na delegacia para registrar o B.O, um policial, rindo, disse que ele era o quinto só naquele dia. Porra, se ele era o quinto, por que os policiais não faziam algo? Boa pergunta, não dá pra entender uma coisa dessas. E o pior é que a gente que paga o salário deles.
E ontem, foi a minha vez de enfrentar os homens de farda. Eu tive o (des)prazer de ir a um Distrito Policial. Fui apurar um briga envolvendo são-paulinos e palmeirenses depois do clássico do Morumbi, no domingo.
Antes de eu continuar, imagine a cena: missa do padre Marcelo Rossi, domingão de manhã. Ao lado do padre, estou eu, com a camisa do Iron Maden, tocando a música “The number of the beast”. Em meio aos solos, eu grito: “Vamos, porra! Não estou ouvindo, seus filhos da puta”. Imaginou? Bom, foi mais ou menos assim que me senti na delegacia. Um peixe fora d´água.
Isso foi só para ilustrar.
Continuando… Antes de ir à Delegacia, liguei e falei com um senhor. Disse que eu era jornalista e gostaria de mais informações sobre o caso. Ele, muito educado, pediu que eu fosse à delegacia para pegar as informações e a cópia do B.O.
A cópia do B.O. era o que mais importava para mim, além de informações sobre a selvageria que rolou no domingo. Bom, cheguei ao Distrito Policial às 15h12 e falei, coincidentemente, com o mesmo senhor que me atendera por telefone. Eu disse. “Boa tarde. Eu liguei aqui e falei com o senhor… Sobre a briga dos torcedores. O senhor poderia me arrumar uma cópia do B.O. e dizer qual o delegado responsável pelo caso, para que eu possa checar alguns dados com ele?” Pergunta simples e direta, sem rodeios. Mas o que me deixou puto foi a resposta dele. “Cópia do B.O.? Você não falou com ninguém daqui, não damos a cópia.” Espera aí, como ele sabia que eu não tinha falado com ninguém? Além de policial, ele fazia uns bicos no estilo Mãe Dinah?
Mas beleza, não esquentei e pedi pra falar com o delega. E ele disse: “Você é quem? O delegado não está aqui.” “Ah, não. Fui feito de otário”, pensei. Às 15h45, depois de pedir a ele que me indicasse alguém que pudesse falar de forma oficial sobre o caso, ele avisou o delegado que eu estava ali. Porra, por que não avisou antes, já que o delega esteve o tempo todo ali? Meia hora jogada no lixo. Neste tempo, poderia ter atualizado o blog, entrado no Orkut e dispararo vários xavecos no msn.
Mas beleza. Eu, enfim, ia conseguir a minha pauta. 16h24min, o delegado pediu para eu entrar na sala dele. Conversamos, ele foi muito prestativo e educado, deixou eu ler o B.O. e copiar o que era importante para a minha matéria. E foi assim, sem estresse, na boa. Poderia ter sido assim durante toda a minha estada na delegacia, mas não foi.
Será que o delegado fez isso porque sou jornalista? Não sei, mas todos poderiam ser como ele, porém, como diria capitão Nascimento: ”NUNCA SERÃO.”
Após a Lei Seca, segundo dados do IML, as mortes no trânsito diminuíram 57%. Ótimo, um ponto a mais na média final dos deputados que votaram a favor da lei. Não estou sendo irônico. Essa lei foi uma das coisas mais importantes e significativas que eu vi na política desde que me conheço por cidadão pagador de impostos. Claro, o fim da CPMF era, até então, a mais importante, mas eles acabaram com velha e criaram a CSS, mas enfim… Sempre achei uma irresponsabilidade beber e dirigir, por isso aprovo a lei. Mas também é preciso que o governo crie novas alternativas para os bebuns voltarem pra casa. Se o cara não pode dirigir, então amplie o horário de funcionamento do Metrô e das linhas de ônibus. Porque, além de gastar com a entrada na balada e com a bebida, a pessoa vai gastar com o táxi também? Pô, sacanagem.